De acordo com uma pesquisa feita essa semana, mais da metade dos brasileiros usam o ônibus, sendo este que pode ser melhorado para resolver grande parte dos problemas das cidades.
Já uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), 8 (oito) pessoas por dia morrem na cidade de São Paulo por problemas de saúde em decorrência da poluição. A mesma pesquisa mostra que 70% da poluição na capital paulistana, são provenientes de gases e fumaças de veículos automotores.
A Constituição Federal, em seu artigo 225, aduz que "todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações".
O meio ambiente trata-se de um direito e uma garantia, quer seja individual ou coletiva, cabendo-lhe ao Poder Público e à coletividade (a população) mantê-lo, defendê-lo e preservá-lo para às futuras gerações.
O que tem ocorrido nas grandes cidades são os investimentos menores em transporte público ecologicamente sustentável. A exemplo: o ônibus elétrico, no qual denominamos como "trólebus".
O trólebus, por si só, é um veículo movido à base de eletricidade, com cabos suspensos e possuindo uma alavanca acima ligando estes ao motor do veículo. Surgido no século passado, o trólebus serviu em vários municípios, mas, em alguns deles o serviço de trólebus foi desativado. Algumas cidades possuem o trólebus, à exemplo de São Paulo e Santos.
No município de São Paulo, o serviço de trólebus encontra-se inteiramente sucateado e defasado, fazendo com que o sistema seja lento. Parte da frota e das linhas de ônibus elétrico na capital paulista, foram desativados na gestão da ex-prefeita e atual senadora Marta Suplicy, entre os anos de 2001 e 2004, onde muitos veículos foram abandonados nos pátios da prefeitura e leiloados como sucata. Dessa frota leiloada, 24 destes foram arrematados em leilão pela empresa Metra, concessionária que administra o corredor ABD (ligando os bairros de São Mateus na zona leste e Jabaquara na zona sul, passando pelas cidades do grande ABC, como Diadema, Mauá, Santo André e São Bernardo do Campo).
A concessionária Metra tem sido um exemplo excelente em manter e investir os serviços de trólebus. A mesma empresa está testando o veículo movido a hidrogênio. O trólebus, porém, é um veículo que não emite sequer gases à atmosfera, pois é totalmente 100% elétrico.
Na Nova Zelândia, estavam-se implantando trólebus com tecnologia de marcha autônoma, que permite o veículo a andar sozinho quando ocorrer panes no sistema. Esse veículo é fabricado no Brasil pela empresa Eletra que pertence ao mesmo grupo da Metra.
Outro veículo não poluente são os ônibus híbridos-elétricos, que detém de uma tecnologia equiparada aos trólebus. O híbrido tem a capacidade de gerar energia independentemente de cabos e fios elétricos, com ajuda de um motor a dísel. A emissão de fumaça deste é 90% menor do que o ônibus movido a dísel comum.
Outra forma de melhorar o meio-ambiente no transporte público é investir em metrô e melhorar a qualidade do trem de subúrbio. Em São Paulo, temos apenas 70km de extensão da malha metroviária, e na cidade do México temos 240km de extensão, sendo que a cidade do México e São Paulo começaram a construir na mesma época
O que se vê, hoje na prática, é que os municípios brasileiros não tem investido em transporte ecologicamente sustentável. No entanto, tudo começa pela União Federal que, por ser um ente da federação e representar a República Federativa do Brasil nas relações internacionais, o Brasil é signatário do Protocolo de Kyoto, que tem por objetivo diminuir a emissão de gases no efeito-estufa. Com tantas reuniões realizadas na COP-15 em Copenhague, na Dinamarca, em 2009, e a COP-16 em Cancún, no México em 2010, não se chegaram a nenhum consenso sobre o meio-ambiente e o Protocolo de Kyoto.
O que notamos é que o Brasil não faz prioridade ao Protocolo de Kyoto, somente o usa como objeto de estudo, através do Ministério de Ciência e Tecnologia. No ano que vem, em 2012, o ano em que se prevê o fim do mundo, o Protocolo de Kyoto se expira.
Já que a União Federal não tem foco ao Protocolo de Kyoto, não há vontade política para trabalhar em conjunto com Estados, Distrito Federal e Municípios em cuidar do meio-ambiente, principalmente em se investir em transporte ecologicamente sustentável.
É mais do que necessário investir de maneira pesada no transporte público ecologicamente sustentável, como em trólebus, híbridos, etanol e biodísel. Se os investimentos começarem desde já, estaremos cuidando dessa atual e futuras gerações.